quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

"Almas Mortas" - Nikolai Gógol (1842)

"Almas Mortas" de Nikolai Gógol é um marco da literatura russa. Embora Gógol tenha nascido na Ucrânia é considerado como um escritor russo, pois morou na Rússia e todas as suas obras foram escritas nessa língua.

Mesmo passados 167 anos desde a publicação desta bela obra, é impressionante como o tema é atualíssimo: a corrupção nos órgãos públicos, como se torna medíocre o ser humano frente aos desejos de poder, a ganância, as mentiras, as fofocas... e tudo o que há de pior na natureza humana está fielmente retratado com certos toques de humor, que fazem com que a leitura seja leve, fluida e divertida.

Mas a narrativa vai muito além de somente contar uma história, Gogol tem como sua característica mais marcante a capacidade de mostrar a superficialidade do homem vulgar e nessa obra, que por pouco não deixou de ser publicada graças à censura, Gógol retrata também a situação da Rússia na época, quando o povo vivia em regime de servidão e os bens de um proprietário eram avaliados pela quantidade de "almas"(como chamavam os servos). Obviamente, o povo russo não gostou muito da idéia de que seu país fosse conhecido pelo resto do mundo sob essa ótica e choveram críticas desfavoráveis.

O livro trata de uma história insólita(que foi sugerida a Gógol por seu amigo, o poeta Púchkin): o nosso "herói" é Pável Ivánovitch Tchítchicov, um homem em busca de dinheiro, respeito e vantagens. Até aí, tudo normal, não fosse o plano bizarro e nem um pouco lícito de comprar almas mortas. Na época em que se passa a história, os campos russos eram divididos em grandes propriedades, e os "pomiêchtchiki" (donos de grandes propriedades rurais, fazendeiros) eram donos de muitas almas (os servos, que trabalhavam a terra, sem nunca possuí-la).

A idéia de Tchítchicov é viajar pelo interior da Rússia, ganhar a confiança e o respeito dos detentores dos mais altos cargos nas cidades-sede de províncias e dos pomiêchtchiki, para depois comprar ou ganhar, apenas no papel, os servos mortos mas que ainda não foram declarados como tal aos recenseadores. Assim, Tchítchicov espera hipotecar as almas como se fossem vivas e obter um grande lucro. O protagonista dessa história é um oportunista medíocre e um mentiroso nato, mas tem uma característica incrível: consegue identificar imediatamente os pontos fracos das pessoas, moldar-se ao caráter delas e só fazer e falar aquilo que elas gostariam de escutar... enfim: o golpista perfeito!

Todos esses atributos do personagem, somados às paisagens (que são muito bem descritas) e uma trama bem elaborada, além da riqueza de detalhes dos outros personagens, faz com que "Almas Mortas" seja um daqueles livros que não dá vontade de largar!

Isso tudo faz com que seja realmente uma pena, lamentável mesmo, o fato de o autor, um ser humano conturbado e que caía em crises frequentes de depressão, ter queimado todos os seus manuscritos pouco antes de morrer, e com eles, o fim da segunda parte de "Almas Mortas". Dessa forma, a obra fica inacabada, mas deixa uma enorme margem para a imaginação dos leitores... o que teria acontecido com o nosso mentiroso Tchítchicov? Teria ele conseguido alcançar seu objetivo e ficado rico? Se isso, ou qualquer outra coisa, fica a cargo de você, leitor!

Esse é para ler:

Em qualquer lugar e a qualquer hora!

Últimos comentários:

Leia esse livro incrível e decida o final dessa maravilhosa obra! Sinta-se à vontade para postar aqui, se desejar, o seu final de "Almas Mortas".

E termino esse post com uma frase retirada da obra: "Mas os seres humanos são superficiais e pouco perspicazes, e um homem de roupa diferente lhes parece um outro homem." Verdade até nos dias de hoje, não?

7 comentários:

The Heart of Lilith disse...

Ju, é a Vi.
To te add no meu blog!

Beijos

Bruna disse...

esse eu quero ler mana!!!!

Anônimo disse...

to adorando esse livro
essa leitura me deixa maravilhada pois nao tem como prever o pode acontecer...

ADOOREII

Hanne disse...

Estou lendo o livro e já recomendei para todos os amigos que sei que gostam de uma boa leitura. Realmente, além do enredo em si, já bastante interessante, é o estilo do autor, sua maneira única de descrever pessoas, lugares e eventos, e acima de tudo, a deliciosa dose de humor ácido, que fazem deste um livro memorável!!

Anônimo disse...

Não acho o livro em lugar nenhum, só a versão de Poesias!

por favor, se alguém souber onde comprar me manda por email:
virginiapatti10@gmail.com

Muito obrigada!

Anônimo disse...

Olá virginiapatti10@gmail.com !!

Se você é da capital de SP ou de algum estado, vá a alguma biblioteca pública e peça emprestado. É só possuir um cadastro.

Eu faço assim.

Adriel Tosi disse...

Apesar de ser realmente uma pena os dois ultimos livros(se não me engano, Gogol mesmo disse, na obra, se teriam mais duas partes)não terem sido publicados, o final inacabado, porém com um "desfecho" é bem feito, e no final cabe a você decidir o futuro do "herói" de Gogol. Realmente exelente, não só pela escrita fácil de ler, cheia de ironias bem estruturadas, mas pelo enredo, os personagens e essa mania genial de autores russos de descrever o ser humano de modo tão interessante.

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